LUAR SERTANEJO
Luar
sertanejo
Mizael de Souza Xavier
No
alpendre da casinha na fazenda
Numa noite, minha rede fui
armar
No barreiro, sapos e grilos cantavam
Bem no alto, a
lua cheia a clarear.
Espoleto, meu cãozinho
companheiro
Logo abaixo de mim já cochilava
E na mata
enegrecida do sertão
Uma onça faminta ali caçava.
O
calor que aqueceu durante o dia
Transformou-se numa friorenta
brisa
Com uma xícara de café forte coado
E um prato de
cuscuz eu me aquecia.
Naquela noite sertaneja me
faltava
Aquela moça para quem jurei amor
Em outra noite
sob um pé de juá
Olhando a lua em todo esplendor.
Moça
bonita, clara como o luar
Cabelos negros como a noite
profunda
Esplendorosa como flor de mandacaru
E intensa como
barragem funda.
Olhando a lua, nossa fiel testemunha
Amor
eterno jurei na sua presença
Mas que também presenciou seu
adeus
Que não ligou para minha benquerença.
Sei que
o galo chamará por outro dia
E a jurema na chuva
renascerá
Entre os caibros, rolinhas farão ninhos
Mas
para mim ela jamais voltará.
Registro aqui e que a lua me
assista
Este poema que na rede escrevi
Tantos ventos já
giraram o moinho
E da amada eu jamais me esqueci.

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